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Ivan di Ferraz: o poeta e guardião da Fortaleza da Barra Grande

  • Foto do escritor: Ana Clara Cavalcante Dias Antonio
    Ana Clara Cavalcante Dias Antonio
  • 18 de nov. de 2024
  • 2 min de leitura

Monitor há mais de 20 anos, Ivan transforma a história do patrimônio histórico em cordel e resistência.


A Fortaleza de Santo Amaro da Barra Grande, localizada no Guarujá, guarda não apenas os segredos de mais de 400 anos de história, mas também a trajetória de Ivan di Ferraz. Com seu colete característico e chapéu na cabeça, ele transforma cada pedra do lugar em memória viva.


Há mais de 20 anos, Ivan atua como guia na fortaleza. Porém, sua conexão vai além de descrições históricas. Chegado ao litoral em 1989, seu primeiro contato com o local foi casual, mas marcante. “Lembro-me da trilha para a Praia do Góes, passando pelo forte, sem perceber sua grandiosidade”, conta ele. Foi somente após uma década que Ivan retornou, desta vez como monitor voluntário, onde iniciou sua formação guiada por apostilas e prática constante.


Construída em 1584 para defender a Vila de Santos contra piratas, a fortaleza evoluiu de um espaço esquecido para um polo cultural sob a gestão de uma universidade. Ivan acompanhou essa mudança de perto, fazendo da história sua profissão e paixão.



“Participei de um treinamento que durou cerca de um ano. Na época, vivia de gorjetas”, relembra. Hoje, além de guiar turistas, ele também é responsável por atividades fundamentais, como cortar o mato e trocar lâmpadas, muitas vezes com recursos próprios. Para ele, a burocracia e a falta de cuidados são desafios constantes.


O dia a dia de Ivan é repleto de desafios. A Fortaleza, agora sob administração pública, sofre com a burocracia e a falta de cuidados. “Quando se trata de conservação, segurança e acessibilidade, tudo é muito demorado e complexo”, diz ele. É Ivan quem corta o mato, recebe turistas e troca as lâmpadas - muitas vezes pagas com dinheiro do próprio bolso.

Ivan também carrega a história do forte atravessada em sua própria trajetória.


Hoje, ele traduz essa simplicidade e admiração em versos que contam a história da fortaleza para todos que passam: crianças, turistas, curiosos. Todos eles, de alguma forma, tocam e são tocados pelas palavras de Ivan.


“A história da defesa da nascente colônia nas cidades do litoral - Santos e São Vicente, Guarujá e Bertioga, fica muito mais interessante com a contação da história pelo seu Ivan, um monitor fantástico que conta e canta”, diz um comentário de um visitante da Fortaleza no TripAdvisor.

Foi assim que surgiu a ideia de transformar cada canto daquele lugar em poesia, em cordel. A cada grupo de visitantes, Ivan os acolhe não apenas com explicações sobre a história e a estrutura do espaço, mas com cantigas que narram, com rima e melodia, as belezas e mistérios do lugar. Ele fala das muralhas, da capela e do mosaico de 1997. Para o monitor, a Fortaleza é um símbolo de resistência, assim como ele próprio. Ele espera que o amor e o esforço que dedicou ao longo dos anos inspirem outros a cuidar do lugar.


“A Fortaleza conta a história de um Brasil que não podemos esquecer”, afirma. E, para ele, o lugar é como uma sala de aula aberta, onde os muros, as guaritas e a capela ensinam o que os livros nem sempre conseguem.

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Rotas do Dragão - Guarujá Além das Praias

Trabalho de Conclusão de Curso da aluna de Bacharelado em Jornalismo na Universidade Santa Cecília (UNISANTA) - 2024, Ana Clara Cavalcante Dias Antonio

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